Conforme se aproximavam ganhavam um ritmo frenético em minha direção.
Não conseguia racionalizar naquele momento, sentia apenas que para ficar vivo, mesmo sentindo uma dor forte na perna deveria sair daquele lugar o quanto antes.
Segui em direção a igreja e subindo as escadas com dificuldade cheguei a porta da igreja e percebi que aquelas pessoas logo estariam ali em cima comigo. Então com força empurrei as portas da igreja a fim de manter todos lá fora. Não tardou e eles alcançaram as portas da igreja, debatendo e forçando para entrar emitiam aquele som tão característico de que esta nessa estranha situação.
Sentei por pouco tempo a fim de amenizar a dor descansando, mas logo me veio a ideia de que deveria fechar a porta lateral da igreja, a fim de evitar outros visitantes como aqueles.
Com dificuldade fecho as portas laterais, e me vejo sozinho e confuso. Em oração procuro por respostas que não me chegam. A sede e a fome pela primeira vez em horas chegam também. Em meio a tudo perdi meu relógio, mas devo estar na metade da manhã. Na porta os sons abafados continuam como se eles soubessem que estou ainda aqui dentro. Preciso beber alguma coisa e tentar descansar. A fome pode esperar. Lembrei-me do escritório e volto para lá. Em meio a papeis e gavetas, uma que estava trancada me chama atenção. Na gaveta estava escrito o nome de Ana.
Desculpe Ana, mas preciso saber o que você guarda aqui dentro.
Com o facão sujo de sangue forço a fechadura que se abre num som metálico muito que rapidamente. E para minha felicidade um pacote de biscoitos tipo água e sal serão meu banquete naquela manhã absurda. Encontro também uma barra pela metade de chocolate. Obrigado Ana.
Preciso de água. Vou em direção do banheiro que fica do lado de fora da igreja, porem sobre a proteção das grades que protegem a propriedade.
Olho em volta com cautela a fim de não ter surpresas desagradáveis como a que tive há pouco. Ainda posso ouvir os sons que vem de fora. Sinto que já tenho saudades daquele silencio. Ao me aproximar do banheiro ouço um ruído que vem lá de dentro. Logo empunho meu facão para me proteger. Quando chego mais perto escuto o que mais temia naquele momento. O som era de alguém que se jogava contra uma das portas do banheiro. Seja o que for que esta atrás daquela porta é muito interessante para aquele corpo de carne escura sem camisa que ali estava. Seu ombro visivelmente estava dilacerado mostrando nervos e músculos acima da tatuagem que lhe cobria todo o braço. Havia muito sangue no chão. Mas apesar da dor que sentia, fiquei temeroso quanto a quem ou o que esta ali dentro que senti a necessidade de fazer alguma coisa. Regressei um pouco e percebi que a igreja estava reestruturando seu jardim e não foi difícil encontrar uma boa ferramenta para me ajudar a conduzir a situação. Aquela pá era leve o suficiente e daria conta do recado se tudo ocorresse da forma que imaginei. Sem fazer barulho me aproximei da porta de entrada e me posicionei de forma proposital a atingir seu corpo quando estivesse saindo do banheiro. O medo me dominava, mas tinha de fazer. Juntei logo ao chão uma latinha vazia e lancei dentro do recinto fazendo ecoar o barulho. O som do rapaz que batia na porta parou por um breve momento o suficiente para ele se virar e ir em direção ao som, como consegui ver pelos espelhos do banheiro. A criatura veio em direção da lata, mas como não houve estimulo maior ela iria novamente rumo a tão cobiçada porta.
Rapidamente lancei uma segunda e uma terceira que o fez vir rapidamente em direção a porta de saída do banheiro. Fiquei encolhido tentando manter uma distancia segura entre nós dois, para que pudesse desferir o golpe único e certeiro. Mas diante de tamanha excitação assumi um risco desnecessário e lancei o golpe. Spplath...
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